A maior aproximação do preço da gasolina e do diesel nos postos de combustível, a consciencialização das pessoas relativamente ao impacto ambiental e à limitação de circulação em várias cidades europeias, incluindo as cidades portuguesas, a exigência do cumprimento dos limites das emissões cada vez mais apertados pelo novo protocolo europeu e o risco de desvalorização dos carros a diesel são alguns dos argumentos que justificam a opção de comprar carros a gasolina em vez de um carro a diesel.

Os Dados

Desde 2012 que não assistíamos a uma descida da compra de carros a diesel. Segundo os dados divulgados pela Associação Automóvel de Portugal (ACAP), em 2019 os portugueses passaram a preferir comprar carros a gasolina que comprar carros a diesel. Em 2019, os primeiros representaram 49,2% do mercado de ligeiros de passageiros e os segundos baixaram as suas vendas de 53,25% para 40%. Se é certo que, atendendo aos números, não há uma grande diferença entre eles (49,2% contra 40%), no entanto, a grande distinção está no facto de que desde 2012 a compra de carros a diesel liderava com distinção em relação à compra de carros a gasolina. A realidade atual mostra-nos que não só está mais próximo como até já é inferior.

O cenário de queda ameaçava desde 2018, altura em que o número de vendas de carros a diesel diminui, contudo, nunca chegando a ser inferior ao número de vendas da gasolina. Algo que mudou de figura em 2019 e indicia manter-se este ano de 2020. Além disso, desde 2018 que as próprias as fábricas nacionais começaram já a montar mais veículos a gasolina do que a diesel, contrariando a tendência que se verificava desde 1995.

O adiamento da aquisição de carros novos quer por parte dos particulares, quer por parte das empresas resulta sobretudo da controvérsia acerca das emissões do diesel e da sua restrição da circulação nas cidades. Além disso, acresce a preocupação dos consumidores com o impacto ambiental das emissões por um lado, e com a avaliação dos automóveis, pelo outro. Na verdade, considera-se ser cada vez mais difícil adquirir um carro a diesel devido ao seu diminuto valor residual. Algo que não era assim desde 2004, altura em que os carros a diesel passaram a ter maior peso no mercado automóvel. Em síntese, face a esta incerteza sobre o valor e o prazo de vida dos motores a diesel, motivada pelo desincentivo ao recurso do combustível com impostos mais agravados, a tendência dos portugueses alterou-se.

Tendências na Europa

Mas não é só em Portugal que este fenómeno se verifica. A preferência pela compra de carros a gasolina é uma tendência que se verifica no resto da Europa desde 2016, sendo que Portugal apenas está a acompanhar esse mesmo comportamento. Segundo Hélder Pedro, secretário-geral da ACAP, a maior diferença que havia em relação ao resto da Europa estava no facto de a quota de mercado dos Diesel ser bastante grande. Além disso, o ritmo de quebra era também menor: o incentivo pelo via fiscal do diesel pode ter ajudado a travar essa perda de popularidade, sobretudo nas frotas empresariais.

Esta reviravolta também se faz sentir nas vendas de carros com motores alternativos aos combustíveis fósseis. Em 2019 os carros híbridos, elétricos e a gás natural representaram 10,8% do mercado automóvel, com destaque para os carros totalmente elétricos que ficaram com 2,7% do mercado total de automóveis.

Viaturas elétricas

Em grande está a americana Tesla que, em 2019, vendeu quase dois mil veículos em Portugal. O Model 3, o primeiro veículo de larga produção da marca, foi o modelo que definitivamente fez apaixonar os portugueses. Por sua vez, a Nissan, antiga líder nesta motorização, desceu para a segunda posição, ao vender mais de 1500 carros elétricos e a francesa Renault ganhou a terceira posição no pódio com pouco mais de 1000 veículos vendidos. Vale isto por dizer que só estas três marcas juntas concentraram mais de dois terços das vendas de carros elétricos/híbridos em Portugal, ainda que a carga das baterias tenha começado a ser paga nos postos de carregamento rápidos.